O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio contra a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, permanece encarcerado no Presídio Militar Romão Gomes, com seu depoimento na Corregedoria da PM adiado pela terceira vez para 5 de outubro, enquanto revela condições degradantes vividas por militares de baixa patente em sua unidade prisional e confronta discrepância salarial entre sua remuneração integral de mais de R$ 28 mil e os R$ 7 mil recebidos pela vítima.
Condições Desumanas e Hierarquia Invertida no Presídio
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu pelo feminicídio da esposa Gisele Alves Santana, detalhou durante oitiva à Corregedoria da Polícia Militar o que classificou como 'inversão da hierarquia militar' dentro do Presídio Romão Gomes, zona norte paulistana, ao afirmar que cumpria ordens de soldados e cabos para acessar cela, realizar limpezas e buscar refeições, destacando que 'entrar na cela, eu peço permissão para o mais antigo da cela, que é um soldado', em clara contradição com seu posto de tenente-coronel.
O magistrado responsável pelo Inquérito Policial Militar (IPM) remarcou o depoimento do coronel pela terceira vez após pedido da defesa por diligências complementares, com a nova data fixada para 5 de outubro às 13h, enquanto o novo laudo pericial descartou hipótese de suicídio e reforçou responsabilidade direta do réu na morte da soldado.
Geraldo Leite Rosa Neto declarou que 'só Deus sabe que eu tô sofrendo aqui dentro', enquanto sua remuneração integral ultrapassava em quatro vezes a da vítima Gisele Alves Santana, que recebia R$ 7 mil.
Repercussão Institucional e Próximos Desdobramentos
A juíza Michelle Porto de Medeiros Cunha Carreiro determinou à perita Amanda Rodrigues Marinone a realização de nova complementação aos quesitos da defesa em 20 dias para esclarecer autoria de gravação citada na audiência, sob risco de nulidade processual por atraso na produção de provas.
Com a prisão preventiva mantida pelo Superior Tribunal de Justiça por risco de interferência no curso natural da justiça, o caso segue sob intensa fiscalização da Corregedoria e do Ministério Público, com a defesa aguardando laudo complementar para embasar contestação.
<.



