Na madrugada de 21 de dezembro de 2025, o policial militar Paulo da Silva Costa disparou duas vezes em José Plácido Silio Neto, um homem portador de esquizofrenia, na porta residencial de sua família no Rio de Janeiro; a vítima morreu três dias depois, em 24 de dezembro, após o segundo disparo, enquanto o caso foi formalmente enquadrado como tentativa de homicídio contra o agente, sem abertura de investigação pela Polícia Civil ou Ministério Público do Rio de Janeiro.
Contexto Institucional e Apuração dos Fatos
Imagens corporais obtidas com exclusividade pela reportagem revelam que José Plácido Silio Neto encontrava-se em surto psicótico na noite do dia 21 e, ao ser solicitado a largar um pedaço de madeira que usava para agredir o policial, recusou-se, momento em que o cabo Paulo da Silva Costa efetuou o primeiro disparo à queima-roupa, seguido por um segundo tiro quando a vítima já se encontrava no chão; testemunhas presenciais e familiares confirmam que os agentes foram informados desde o início sobre o quadro de saúde mental da vítima, com relato da tia Midian dos Santos Silio à Polícia Militar no momento da ocorrência.
O deslinhamento entre a conduta descrita pelo policial — 'manteve conduta ofensiva' e 'posicionado para novo ataque' — contrasta frontalmente com as imagens corporais que atestam ausência de agressividade iminente por parte da vítima no instante dos disparos, enquanto o Ministério Público do Rio de Janeiro e a Polícia Civil mantêm postura omissa quanto à abertura formal de inquérito investigativo.
José Plácido Silio Neto morreu três dias após ser atingido por dois tiros disparados por policial militar em plena zona residencial do Rio de Janeiro
Repercussão Legal e Desdobramentos Possíveis
O defensor público Lucas Nunes, subcoordenador do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos (Nudedh) da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, formalizou pedido à Polícia Civil e ao Ministério Público do Estado exigindo apuração como homicídio doloso e uso abusivo da força, reforçando que as imagens corporais comprovam ausência de legítima defesa e evidenciam conhecimento prévio da condição mental da vítima por parte das autoridades envolvidas.
A família de José Plácido busca responsabilização criminal do agente e indenização civil pelo Estado, fundamentando seu pedido na omissão institucional que impediu investigação adequada, enquanto a Defensoria Pública mantém assistência jurídica contínua e reforça a necessidade urgente de apuração imparcial para a garantia da justiça transicional.



