A inteligência artificial já faz parte da rotina da maioria dos profissionais de marketing no Brasil. Segundo o estudo Tendências de Marketing 2026, da Conversion, 82,4% dos profissionais da área usam ferramentas de IA diariamente, contra 43,7% em 2024. No entanto, a preparação das equipes não acompanhou esse crescimento.
A adoção ainda é ampla, mas rasa: 88,2% utilizam a IA principalmente para perguntas e respostas em tarefas cotidianas, enquanto apenas 6,1% automatizam fluxos de trabalho e 2,7% operam agentes autônomos. O levantamento mostra ainda que 28,7% das empresas não têm nenhuma iniciativa formal de capacitação e 41,1% oferecem apenas cursos gratuitos ou de baixo custo.
Para Paulo Ilha, cofundador e sócio da Galeria, a lacuna está na formação. Ele afirmou ao programa Valor de Marca, da CNN Brasil: "É difícil hoje ter um time que está plenamente preparado. As pessoas chegam em uma organização, precisam ser treinadas, se desenvolver e ter espaço para novas ideias dentro das organizações".
Ilha vê a IA como uma ferramenta que amplia o trabalho humano e não como substituto. "O que a IA faz é potencializar o capital humano", disse. Ele destacou que a tecnologia torna a análise do comportamento do consumidor mais ágil e a produção mais eficiente, com custo frequentemente menor.
Ao contrário das grandes holdings globais de publicidade, que anunciaram cortes após automação — como as mais de 4.000 demissões na Omnicom com a compra da Interpublic —, a Galeria contratou cem profissionais apenas no primeiro semestre de 2026, segundo a Propmark.
O perfil mais valorizado será o do profissional que testa soluções, mede impacto e ajusta rotas. Ilha defende ainda equipes menos compartimentadas e tomada de decisão multidisciplinar. Para ele, o julgamento sobre o que vai ao ar continua humano e esse fator é extremamente diferenciador.



