O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) formalizou investigação sobre suposto esquema de desvio de mais de R$ 14 milhões em contratos firmados pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), envolvendo o ex-presidente Nilson Pinto, sua esposa, a vereadora Tatiana Ferreira Rodrigues e outras pessoas, após apurações baseadas em documentos administrativos, registros fiscais e movimentações bancárias que apontaram repasses financeiros irregulares à construtora Duas Marias.
Contexto Institucional e Investigação Formal
A denúncia, encaminhada à 10ª Vara Criminal de Belém, aponta indícios de direcionamento de licitações, irregularidades na execução de serviços públicos e movimentações financeiras suspeitas que teriam beneficiado integrantes do grupo investigado, com base em evidências colhidas durante apuração preliminar do MPPA que inclui análise de contratos, notas fiscais e rastreamento de transferências bancárias.
O ex-presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, que commandou a autarquia entre fevereiro de 2023 e julho de 2026, nega categoricamente as acusações, classificando-as como infundadas e alegando que a investigação foi articulada como perseguição política coincidente com o calendário eleitoral, reiterando que os valores gastos nas obras somaram aproximadamente R$ 19 milhões.
O s recursos foram utilizados em três obras estratégicas para o Pará: recuperação do muro do Parque Estadual do Utinga (R$ 900 mil), reforma do complexo técnico-administrativo (R$ 13,6 milhões) e construção do Centro de Apoio ao Visitante (R$ 4,9 milhões).
Repercussão Jurídica e Desdobramentos Imediatos
O MPPA mantém a posição de que indícios de irregularidades foram identificados por meio de documentos oficiais e análises financeiras, destacando o repasse de valores a terceiros após pagamentos à construtora Duas Marias, além de suspeitas de uso de recursos públicos para aquisição de imóveis no exterior e bens de luxo, fatos ainda sujeitos à avaliação judicial.
Nilson Pinto afirmou que sua defesa já solicitou à Justiça a realização de perícia técnica para comprovar a legalidade e a adequação dos gastos, reiterando que os valores estão dentro dos padrões regionais e nacionais da engenharia.



