O Brasil só deve se posicionar sobre a autorização para que Daniel Perez assuma a embaixada dos Estados Unidos no país após o encontro bilateral entre o ministro Mauro Vieira, de Relações Exteriores, e Marco Rubio, secretário de Estado americano, marcado para os dias 9 e 10 em Paris durante a reunião de chanceleres do G7. Será a primeira reunião oficial entre os dois após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições brasileiras.
A definição sobre o agrément e o possível visto diplomático concedido a Perez aguarda essa reunião, segundo a área internacional do Palácio do Planalto. O indicado por Donald Trump aguarda autorização desde junho e foi aprovado pelo Senado americano em agosto por 51 votos a favor e 47 contrários.
O governo brasileiro considera condicionar a autorização de visto com livre trânsito ao mesmo tratamento dado pela Casa Branca à embaixadora Maria Luiza Viotti em Washington, cujo visto de entradas múltiplas foi revogado pelo Departamento de Estado em agosto. Na ocasião, Rubio alegou reciprocidade devido à demora na aprovação do novo embaixador americano no Brasil.
Pesa ainda na avaliação o fato de Donald Trump contestar o resultado das eleições brasileiras, em meio à fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA. O entendimento no Planalto é que não faz sentido autorizar o republicano enquanto o presidente americano questionar o processo eleitoral brasileiro.
Lula havia suspendido a concessão de agréments até o segundo turno das eleições, paralisando autorizações para países como Estados Unidos, Ucrânia e Síria. Antes do segundo turno, a equipe diplomática informou que não havia identificado indicativo que impedisse o nome de Perez para exercer a função de embaixador no Brasil.
Daniel Perez é presidente da Câmara de Representantes do estado da Flórida e alinhado a Donald Trump. Sua indicação foi anunciada em junho deste ano e gerou críticas internas na diplomacia brasileira porque o processo de análise e aceitação de agrément é sigiloso, com o nome informado inicialmente ao país receptor antes do anúncio público.
O Brasil não tem embaixador dos Estados Unidos desde janeiro de 2025. Quem representa o governo americano em território brasileiro é Gabriel Escobar, encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA.



