Durante a convenção nacional do Partido Republicano realizada em Dallas, no Texas, Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, anunciou a promessa de conceder um dividendo de US$ 5 mil a cada cidadão adulto do país caso o partido conquiste o controle total do Congresso nas eleições de novembro de 2024, proposta que gerou imediata contestação jurídica por violação à legislação federal que proíbe o uso de recursos públicos para influenciar processos eleitorais.
Contextualização da Proposta e Fundamentação Legal
A declaração foi proferida em discurso marcante na Convenção Nacional Republicana, onde Trump classificou a medida como 'incentivo' decorrente do desempenho econômico de sua gestão, apesar de especialistas apontarem que a iniciativa configura uso indevido de verbas governamentais proibidas pela Lei de Redistribuição Eleitoral e pelo Código Eleitoral Federal, que vedam expressamente o financiamento de benefícios diretos à população em ano de eleição ou em período pré-eleitoral para impactar o resultado da votação.
A estimativa divulgada pelo próprio grupo de trabalho da campanha indica que o custo total da proposta atingiria cerca de US$ 1,3 trilhão, considerando a população adulta estimada em 270 milhões nos Estados Unidos, valor que supera amplamente os orçamentos anuais de diversos departamentos federais e configuraria, segundo juristas eleitorais consultados pelo serviço de investigação da Casa Branca, uma flagrante violação à proibição constitucional de uso de recursos públicos para fins de campanha eleitoral.
A proposta prevê pagamento de US$ 5 mil por adulto americano, totalizando cerca de US$ 1,3 trilhão em gastos públicos.
Repercussão Institucional e Desafios Jurídicos
A declaração desencadeou reação imediata da Comissão de Direitos Civis da Casa Judiciária e do Instituto Federal de Defesa da Democracia (IFDD), que consideraram a iniciativa uma 'ameaça estrutural à neutralidade do processo eleitoral' e anunciaram abertura formal de procedimento para avaliação da constitucionalidade da medida.
Especialistas em direito tributário e eleitoral apontam que, mesmo que os recursos fossem provenientes de cofres privados vinculados à campanha, a premissa legal subjacente ao discurso — vinculando promessas financeiras ao controle do Congresso — viola princípios fundamentais da Lei Anticorrupção Eleitoral (Hatch Act) e expõe o presidente a processos de impeachment por abuso de poder executivo.



