O Ministério Público do Rio Grande do Sul denunciou seis pessoas suspeitas de desviar doações enviadas dos Estados Unidos para vítimas das cheias que atingiram o estado em maio de 2024. Se a Justiça acolher a acusação, os investigados responderão pelos crimes de organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.
A denúncia foi assinada pelo promotor Manoel Figueiredo Antunes, coordenador do 5º Núcleo Regional do GAECO – Serra, e aponta oito delitos relacionados ao desvio e ao comércio de donativos destinados às vítimas da tragédia climática.
As apurações começaram depois que o Consulado-Geral do Brasil em Miami informou que roupas arrecadadas para os atingidos estavam sendo comercializadas na região serrana do Rio Grande do Sul.
Além das roupas, utensílios, eletrodomésticos, medicamentos e outros produtos enviados dos Estados Unidos e de diferentes partes do Brasil foram desviados para venda em brechós e uso particular.
A Operação Ascaris, deflagrada em dezembro de 2025, revelou a atuação de um grupo com divisão de tarefas para desviar, armazenar e vender donativos, além de ocultar os valores obtidos com as vendas.
Durante as diligências na Serra gaúcha, agentes apreenderam documentos e encontraram dezenas de caixas com roupas, fraldas, calçados, medicamentos, mamadeiras, eletrodomésticos e produtos de higiene que deveriam ter sido entregues às famílias atingidas.
A investigação também identificou o desvio de mercadorias doadas por empresas, vouchers de combustível destinados à assistência e o uso de contas bancárias e bens em nome de terceiros para ocultar patrimônio.
Após autorização judicial, os materiais recuperados foram repassados a entidades assistenciais, creches e abrigos de municípios como Caxias do Sul, São Marcos e Boa Vista do Sul. Veículos e imóveis foram sequestrados e contas bancárias bloqueadas para buscar o ressarcimento dos prejuízos.



