Um estudo realizado pelo Programa de Pós-Graduação em Enfermagem do Setor de Ciências da Saúde da UFPR investigou fatores psicossociais relacionados ao trabalho na Polícia Federal, ouvindo 146 servidores da Superintendência Regional da corporação em Curitiba. De acordo com o levantamento, 47,26% dos entrevistados afirmaram dormir mal e 43,15% relataram tensão e nervosismo constantes. Além disso, seis policiais mencionaram vontade de tirar a própria vida. Os dados foram coletados entre outubro e novembro de 2025 por meio de questionários estruturados e autoaplicáveis, distribuídos a 320 servidores elegíveis, dos quais 146 responderam voluntariamente.
A pesquisa também identificou diferenças entre os gêneros, com servidoras apresentando índices expressivamente maiores de sofrimento psíquico e desmotivação. Segundo as pesquisadoras, esses resultados estão ligados à sobrecarga da dupla jornada e à permanência de um ambiente historicamente masculinizado nas forças de segurança. Outro ponto relevante foi a relação entre o tempo de serviço e a percepção do ambiente de trabalho: quanto mais tempo o servidor tinha na instituição, menos positiva tendia a ser sua avaliação das condições laborais. No entanto, a pesquisadora responsável esclareceu que o estudo identifica uma associação, mas não estabelece uma relação de causa e efeito.



