Durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama e à importância do diagnóstico precoce, os dados revelam um desafio que vai além da identificação da doença: garantir que as pacientes consigam iniciar o tratamento em tempo oportuno. No Distrito Federal, mais de 70% dos registros de câncer de mama analisados em 2025 tiveram o tratamento iniciado mais de 60 dias após o diagnóstico.Em levantamento realizado no Painel-Oncologia, foram identificados 491 registros de neoplasia maligna da mama associados ao Distrito Federal em 2025. Desse total, 353 (71,9%) tiveram o tratamento iniciado após 60 dias, enquanto 138 (28,1%) começaram dentro desse prazo.Para chegar aos números, foram aplicados os filtros de Unidade da Federação (UF) de diagnóstico e de tratamento, considerando os registros relacionados à rede de atendimento do DF. Disponibilizado pelo Ministério da Saúde, o Painel-Oncologia reúne informações sobre diagnóstico e início do tratamento de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).O período de até 60 dias entre a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento oncológico é estabelecido pela Lei nº 12.732/2012, conhecida como Lei dos 60 dias. A legislação prevê que o atendimento ocorra nesse prazo, ou antes, conforme a necessidade terapêutica registrada no prontuário da paciente.O percentual, porém, não deve ser interpretado isoladamente como descumprimento da legislação. A ferramenta reúne dados de diferentes sistemas de informação do SUS e não representa a totalidade dos casos de câncer.Além disso, os dados agregados não permitem verificar individualmente as datas registradas nos prontuários nem as particularidades clínicas de cada paciente. A confirmação de eventual descumprimento exige uma análise mais detalhada dos casos.Fila de esperaA Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que, no início de outubro, 260 pacientes com câncer de mama aguardavam consulta para iniciar o tratamento na rede pública. Desse total, 95 esperavam atendimento em mastologia e 171, em oncologia clínica, segundo a pasta.Entre as pacientes na fila, 103 (39,6%) aguardavam havia até 30 dias; 83 (31,9%), entre 31 e 60 dias; e 74 (28,5%), há mais de 60 dias.A secretaria também apontou que, em 2025, 86 pacientes iniciaram o tratamento em até 60 dias (27,1%), enquanto 231 começaram após esse prazo (72,9%). Em 2026, até julho, 57 pacientes (31,5%) iniciaram o tratamento dentro de 60 dias e 124 (68,5%) ultrapassaram o período.Segundo a SES-DF, o tempo para o início do tratamento varia conforme a complexidade de cada caso e a conduta indicada. A pasta explicou que a linha de cuidado pode envolver consultas, exames complementares, biópsia, diagnóstico e procedimentos cirúrgicos, quando necessários.Além das pacientes que aguardavam a primeira consulta para iniciar o tratamento, outras 291 já atendidas esperavam por cirurgia oncológica de mama, enquanto 49 aguardavam radioterapia. De acordo com a secretaria, não há fila para quimioterapia, procedimento autorizado diretamente pelo serviço habilitado após a consulta com a equipe de oncologia clínica.Em relação aos exames, a pasta informou que, em levantamento realizado em 6 de outubro, havia 12.596 exames de mamografia registrados na rede SUS-DF, sendo 12.302 de rastreamento e 257 diagnósticos. Segundo a secretaria, o tempo médio de espera depende de cada caso.Por fim, a SES-DF também esclareceu que incentiva ao longo do ano uma série de ações em suas unidades de saúde voltadas à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama.“As iniciativas incluem atividades educativas, palestras, orientações, oferta de exames e mutirão de cirurgias, reafirmando o compromisso da rede pública com a promoção da saúde da mulher”, declarou.“Angústia”A espera pelo tratamento de câncer de mama tem sido motivo de angústia para Ilma Peres da Silva, de 55 anos, diarista. Ela recebeu o diagnóstico em julho, fez a biópsia na rede particular e acreditou que conseguiria começar o tratamento rapidamente. Em agosto, passou pela primeira consulta na mastologia, no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), mas, desde então, aguarda o encaminhamento para a oncologia.“É muito difícil. Sinto muita angústia de não ter iniciado o tratamento ainda. Quando o período de espera chegou a dois meses, procurei a Defensoria Pública em busca de ajuda para conseguir avançar no atendimento. Espero que agora seja mais rápido”, relatou.A paciente contou que percebeu um nódulo que estava crescendo e procurou atendimento para investigar a alteração. Ela também alertou para a importância de manter os exames em dia. Segundo Ilma, ficou um ano sem fazer mamografia e, depois de perceber o nódulo, precisou correr atrás da investigação e do tratamento.Enquanto aguarda, Ilma conseguiu realizar dois exames pela rede pública, mas ainda enfrenta espera por outros procedimentos, entre eles uma cintilografia.“Mãos atadas”A espera por atendimento também aflige Maria de Fátima Gregório da Silva, 62, que enfrenta um câncer de mama. A filha dela, a monitora escolar Jennifer da Silva Lima, 40, conta que a mãe recebeu o diagnóstico em março, mas só conseguiu iniciar a quimioterapia em junho, após enfrentar dificuldades para realizar exames.Segundo Jennifer, a família precisou pagar por exames na rede particular para não prolongar ainda mais a espera. Após concluir a quimioterapia, em setembro, Maria de Fátima precisava passar por uma nova avaliação médica e realizar exames para verificar a resposta ao tratamento e dar prosseguimento ao procedimento cirúrgico.3 imagensFechar modal.1 de 3Jennifer da Silva e a mãe Maria de FátimaImagem cedida ao Metrópoles2 de 3Maria descobriu o câncer de mama em março deste ano. A quimioterapia teve início em junho Imagem cedida ao Metrópoles3 de 3A paciente aguarda cirurgia para retirada de nódulo na mama Imagem cedida ao MetrópolesNo entanto, a família voltou a enfrentar dificuldades para conseguir atendimento no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Jennifer conta que a mãe tinha uma consulta marcada para setembro, mas recebeu, no início daquele mês, uma mensagem informando que o médico havia deixado o hospital e que ainda não havia previsão para a retomada dos atendimentos.“É horrível. A gente fica com as mãos atadas, querendo resolver uma coisa que não está no nosso alcance. Corre para um lado, corre para o outro e não tem solução”, desabafou.Diante da falta de informações, Jennifer procurou diferentes canais para tentar resolver a situação, entre eles a ouvidoria, o Participa-DF e a Defensoria Pública. A família conseguiu uma nova consulta, apenas para 27 de novembro.Até lá, Jennifer teme que a demora comprometa o planejamento da cirurgia. Ela relata que a equipe médica orientou que o procedimento fosse realizado em até três meses após o fim da quimioterapia.“Cada dia, cada hora é preciosa. A espera é ainda mais angustiante, porque dependemos da avaliação médica para saber se o tumor diminuiu e quais serão os próximos passos do tratamento”, afirmou.“Dor na alma”A aposentada Sofia Moreira, 75 anos, descobriu o câncer de mama em 2012 e passou por cirurgia para retirar dois nódulos, além de radioterapia. Desde então, mantém o acompanhamento médico, mas relata dificuldades para conseguir exames pela rede pública e diz que frequentemente precisa recorrer à Defensoria Pública para dar continuidade ao atendimento.Após tratar o câncer de mama, Sofia descobriu que a doença havia chegado ao pulmão. Mesmo em remissão, a aposentada ainda enfrenta obstáculos para realizar exames de acompanhamento. “Todo exame eu preciso recorrer à Defensoria Pública para conseguir”, relatou. Segundo ela, até uma mamografia solicitada em 2022 exigiu ajuda do órgão.Apesar das dificuldades, Sofia defende o Sistema Único de Saúde (SUS) e faz um apelo a outras pessoas que enfrentam a doença. “Não perca a fé”, aconselhou. Para ela, o câncer também deixa marcas emocionais. “Mesmo que você não tenha a dor da ferida, da doença, você sente dor na alma”, afirmou.
No DF, 70% das mulheres com câncer de mama começam tratamento após 60 dias
Locução neural da Yumi IA em português

- Durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama e à importância do diagnóstico precoce, os dados revelam um desafio que vai além da identificação da doença: garantir que as pacientes consigam iniciar o tratamento em tempo oportuno. No Distrito Federal, mais de 70% dos registros de câncer de mama analisados em 2025 tiveram o tratamento iniciado mais de 60 dias após o diagnóstico.Em levantamento realizado no Painel-Oncologia, foram identificados 491 registros de neoplasia maligna da mama associados ao Distrito Federal em 2025. Desse total, 353 (71,9%) tiveram o tratamento iniciado após 60 dias, enquanto 138 (28,1%) começaram dentro desse prazo.Para chegar aos números, foram aplicados os filtros de Unidade da Federação (UF) de diagnóstico e de tratamento, considerando os registros relacionados à rede de atendimento do DF. Disponibilizado pelo Ministério da Saúde, o Painel-Oncologia reúne informações sobre diagnóstico e início do tratamento de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).O período de até 60 dias entre a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento oncológico é estabelecido pela Lei nº 12.732/2012, conhecida como Lei dos 60 dias. A legislação prevê que o atendimento ocorra nesse prazo, ou antes, conforme a necessidade terapêutica registrada no prontuário da paciente.O percentual, porém, não deve ser interpretado isoladamente como descumprimento da legislação. A ferramenta reúne dados de diferentes sistemas de informação do SUS e não representa a totalidade dos casos de câncer.Além disso, os dados agregados não permitem verificar individualmente as datas registradas nos prontuários nem as particularidades clínicas de cada paciente. A confirmação de eventual descumprimento exige uma análise mais detalhada dos casos.Fila de esperaA Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que, no início de outubro, 260 pacientes com câncer de mama aguardavam consulta para iniciar o tratamento na rede pública. Desse total, 95 esperavam atendimento em mastologia e 171, em oncologia clínica, segundo a pasta.Entre as pacientes na fila, 103 (39,6%) aguardavam havia até 30 dias; 83 (31,9%), entre 31 e 60 dias; e 74 (28,5%), há mais de 60 dias.A secretaria também apontou que, em 2025, 86 pacientes iniciaram o tratamento em até 60 dias (27,1%), enquanto 231 começaram após esse prazo (72,9%). Em 2026, até julho, 57 pacientes (31,5%) iniciaram o tratamento dentro de 60 dias e 124 (68,5%) ultrapassaram o período.Segundo a SES-DF, o tempo para o início do tratamento varia conforme a complexidade de cada caso e a conduta indicada. A pasta explicou que a linha de cuidado pode envolver consultas, exames complementares, biópsia, diagnóstico e procedimentos cirúrgicos, quando necessários.Além das pacientes que aguardavam a primeira consulta para iniciar o tratamento, outras 291 já atendidas esperavam por cirurgia oncológica de mama, enquanto 49 aguardavam radioterapia. De acordo com a secretaria, não há fila para quimioterapia, procedimento autorizado diretamente pelo serviço habilitado após a consulta com a equipe de oncologia clínica.Em relação aos exames, a pasta informou que, em levantamento realizado em 6 de outubro, havia 12.596 exames de mamografia registrados na rede SUS-DF, sendo 12.302 de rastreamento e 257 diagnósticos. Segundo a secretaria, o tempo médio de espera depende de cada caso.Por fim, a SES-DF também esclareceu que incentiva ao longo do ano uma série de ações em suas unidades de saúde voltadas à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama.“As iniciativas incluem atividades educativas, palestras, orientações, oferta de exames e mutirão de cirurgias, reafirmando o compromisso da rede pública com a promoção da saúde da mulher”, declarou.“Angústia”A espera pelo tratamento de câncer de mama tem sido motivo de angústia para Ilma Peres da Silva, de 55 anos, diarista. Ela recebeu o diagnóstico em julho, fez a biópsia na rede particular e acreditou que conseguiria começar o tratamento rapidamente. Em agosto, passou pela primeira consulta na mastologia, no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), mas, desde então, aguarda o encaminhamento para a oncologia.“É muito difícil. Sinto muita angústia de não ter iniciado o tratamento ainda. Quando o período de espera chegou a dois meses, procurei a Defensoria Pública em busca de ajuda para conseguir avançar no atendimento. Espero que agora seja mais rápido”, relatou.A paciente contou que percebeu um nódulo que estava crescendo e procurou atendimento para investigar a alteração. Ela também alertou para a importância de manter os exames em dia. Segundo Ilma, ficou um ano sem fazer mamografia e, depois de perceber o nódulo, precisou correr atrás da investigação e do tratamento.Enquanto aguarda, Ilma conseguiu realizar dois exames pela rede pública, mas ainda enfrenta espera por outros procedimentos, entre eles uma cintilografia.“Mãos atadas”A espera por atendimento também aflige Maria de Fátima Gregório da Silva, 62, que enfrenta um câncer de mama. A filha dela, a monitora escolar Jennifer da Silva Lima, 40, conta que a mãe recebeu o diagnóstico em março, mas só conseguiu iniciar a quimioterapia em junho, após enfrentar dificuldades para realizar exames.Segundo Jennifer, a família precisou pagar por exames na rede particular para não prolongar ainda mais a espera. Após concluir a quimioterapia, em setembro, Maria de Fátima precisava passar por uma nova avaliação médica e realizar exames para verificar a resposta ao tratamento e dar prosseguimento ao procedimento cirúrgico.3 imagensFechar modal.1 de 3Jennifer da Silva e a mãe Maria de FátimaImagem cedida ao Metrópoles2 de 3Maria descobriu o câncer de mama em março deste ano. A quimioterapia teve início em junho Imagem cedida ao Metrópoles3 de 3A paciente aguarda cirurgia para retirada de nódulo na mama Imagem cedida ao MetrópolesNo entanto, a família voltou a enfrentar dificuldades para conseguir atendimento no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Jennifer conta que a mãe tinha uma consulta marcada para setembro, mas recebeu, no início daquele mês, uma mensagem informando que o médico havia deixado o hospital e que ainda não havia previsão para a retomada dos atendimentos.“É horrível. A gente fica com as mãos atadas, querendo resolver uma coisa que não está no nosso alcance. Corre para um lado, corre para o outro e não tem solução”, desabafou.Diante da falta de informações, Jennifer procurou diferentes canais para tentar resolver a situação, entre eles a ouvidoria, o Participa-DF e a Defensoria Pública. A família conseguiu uma nova consulta, apenas para 27 de novembro.Até lá, Jennifer teme que a demora comprometa o planejamento da cirurgia. Ela relata que a equipe médica orientou que o procedimento fosse realizado em até três meses após o fim da quimioterapia.“Cada dia, cada hora é preciosa. A espera é ainda mais angustiante, porque dependemos da avaliação médica para saber se o tumor diminuiu e quais serão os próximos passos do tratamento”, afirmou.“Dor na alma”A aposentada Sofia Moreira, 75 anos, descobriu o câncer de mama em 2012 e passou por cirurgia para retirar dois nódulos, além de radioterapia. Desde então, mantém o acompanhamento médico, mas relata dificuldades para conseguir exames pela rede pública e diz que frequentemente precisa recorrer à Defensoria Pública para dar continuidade ao atendimento.Após tratar o câncer de mama, Sofia descobriu que a doença havia chegado ao pulmão. Mesmo em remissão, a aposentada ainda enfrenta obstáculos para realizar exames de acompanhamento. “Todo exame eu preciso recorrer à Defensoria Pública para conseguir”, relatou. Segundo ela, até uma mamografia solicitada em 2022 exigiu ajuda do órgão.Apesar das dificuldades, Sofia defende o Sistema Único de Saúde (SUS) e faz um apelo a outras pessoas que enfrentam a doença. “Não perca a fé”, aconselhou. Para ela, o câncer também deixa marcas emocionais. “Mesmo que você não tenha a dor da ferida, da doença, você sente dor na alma”, afirmou.
Durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama e à importância do diagnóstico precoce, os dados revelam um desafio que vai além da identificação da doença: garantir que as pacientes consigam iniciar o tratamento em tempo oportuno. No Distrito Federal, mais de 70% dos registros de câncer de mama analisados em 2025 tiveram o tratamento iniciado mais de 60 dias após o diagnóstico.Em levantamento realizado no Painel-Oncologia, foram identificados 491 registros de neoplasia maligna da mama associados ao Distrito Federal em 2025. Desse total, 353 (71,9%) tiveram o tratamento iniciado após 60 dias, enquanto 138 (28,1%) começaram dentro desse prazo.Para chegar aos números, foram aplicados os filtros de Unidade da Federação (UF) de diagnóstico e de tratamento, considerando os registros relacionados à rede de atendimento do DF. Disponibilizado pelo Ministério da Saúde, o Painel-Oncologia reúne informações sobre diagnóstico e início do tratamento de pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).O período de até 60 dias entre a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento oncológico é estabelecido pela Lei nº 12.732/2012, conhecida como Lei dos 60 dias. A legislação prevê que o atendimento ocorra nesse prazo, ou antes, conforme a necessidade terapêutica registrada no prontuário da paciente.O percentual, porém, não deve ser interpretado isoladamente como descumprimento da legislação. A ferramenta reúne dados de diferentes sistemas de informação do SUS e não representa a totalidade dos casos de câncer.Além disso, os dados agregados não permitem verificar individualmente as datas registradas nos prontuários nem as particularidades clínicas de cada paciente. A confirmação de eventual descumprimento exige uma análise mais detalhada dos casos.Fila de esperaA Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) informou que, no início de outubro, 260 pacientes com câncer de mama aguardavam consulta para iniciar o tratamento na rede pública. Desse total, 95 esperavam atendimento em mastologia e 171, em oncologia clínica, segundo a pasta.Entre as pacientes na fila, 103 (39,6%) aguardavam havia até 30 dias; 83 (31,9%), entre 31 e 60 dias; e 74 (28,5%), há mais de 60 dias.A secretaria também apontou que, em 2025, 86 pacientes iniciaram o tratamento em até 60 dias (27,1%), enquanto 231 começaram após esse prazo (72,9%). Em 2026, até julho, 57 pacientes (31,5%) iniciaram o tratamento dentro de 60 dias e 124 (68,5%) ultrapassaram o período.Segundo a SES-DF, o tempo para o início do tratamento varia conforme a complexidade de cada caso e a conduta indicada. A pasta explicou que a linha de cuidado pode envolver consultas, exames complementares, biópsia, diagnóstico e procedimentos cirúrgicos, quando necessários.Além das pacientes que aguardavam a primeira consulta para iniciar o tratamento, outras 291 já atendidas esperavam por cirurgia oncológica de mama, enquanto 49 aguardavam radioterapia. De acordo com a secretaria, não há fila para quimioterapia, procedimento autorizado diretamente pelo serviço habilitado após a consulta com a equipe de oncologia clínica.Em relação aos exames, a pasta informou que, em levantamento realizado em 6 de outubro, havia 12.596 exames de mamografia registrados na rede SUS-DF, sendo 12.302 de rastreamento e 257 diagnósticos. Segundo a secretaria, o tempo médio de espera depende de cada caso.Por fim, a SES-DF também esclareceu que incentiva ao longo do ano uma série de ações em suas unidades de saúde voltadas à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama.“As iniciativas incluem atividades educativas, palestras, orientações, oferta de exames e mutirão de cirurgias, reafirmando o compromisso da rede pública com a promoção da saúde da mulher”, declarou.“Angústia”A espera pelo tratamento de câncer de mama tem sido motivo de angústia para Ilma Peres da Silva, de 55 anos, diarista. Ela recebeu o diagnóstico em julho, fez a biópsia na rede particular e acreditou que conseguiria começar o tratamento rapidamente. Em agosto, passou pela primeira consulta na mastologia, no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), mas, desde então, aguarda o encaminhamento para a oncologia.“É muito difícil. Sinto muita angústia de não ter iniciado o tratamento ainda. Quando o período de espera chegou a dois meses, procurei a Defensoria Pública em busca de ajuda para conseguir avançar no atendimento. Espero que agora seja mais rápido”, relatou.A paciente contou que percebeu um nódulo que estava crescendo e procurou atendimento para investigar a alteração. Ela também alertou para a importância de manter os exames em dia. Segundo Ilma, ficou um ano sem fazer mamografia e, depois de perceber o nódulo, precisou correr atrás da investigação e do tratamento.Enquanto aguarda, Ilma conseguiu realizar dois exames pela rede pública, mas ainda enfrenta espera por outros procedimentos, entre eles uma cintilografia.“Mãos atadas”A espera por atendimento também aflige Maria de Fátima Gregório da Silva, 62, que enfrenta um câncer de mama. A filha dela, a monitora escolar Jennifer da Silva Lima, 40, conta que a mãe recebeu o diagnóstico em março, mas só conseguiu iniciar a quimioterapia em junho, após enfrentar dificuldades para realizar exames.Segundo Jennifer, a família precisou pagar por exames na rede particular para não prolongar ainda mais a espera. Após concluir a quimioterapia, em setembro, Maria de Fátima precisava passar por uma nova avaliação médica e realizar exames para verificar a resposta ao tratamento e dar prosseguimento ao procedimento cirúrgico.3 imagensFechar modal.1 de 3Jennifer da Silva e a mãe Maria de FátimaImagem cedida ao Metrópoles2 de 3Maria descobriu o câncer de mama em março deste ano. A quimioterapia teve início em junho Imagem cedida ao Metrópoles3 de 3A paciente aguarda cirurgia para retirada de nódulo na mama Imagem cedida ao MetrópolesNo entanto, a família voltou a enfrentar dificuldades para conseguir atendimento no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB). Jennifer conta que a mãe tinha uma consulta marcada para setembro, mas recebeu, no início daquele mês, uma mensagem informando que o médico havia deixado o hospital e que ainda não havia previsão para a retomada dos atendimentos.“É horrível. A gente fica com as mãos atadas, querendo resolver uma coisa que não está no nosso alcance. Corre para um lado, corre para o outro e não tem solução”, desabafou.Diante da falta de informações, Jennifer procurou diferentes canais para tentar resolver a situação, entre eles a ouvidoria, o Participa-DF e a Defensoria Pública. A família conseguiu uma nova consulta, apenas para 27 de novembro.Até lá, Jennifer teme que a demora comprometa o planejamento da cirurgia. Ela relata que a equipe médica orientou que o procedimento fosse realizado em até três meses após o fim da quimioterapia.“Cada dia, cada hora é preciosa. A espera é ainda mais angustiante, porque dependemos da avaliação médica para saber se o tumor diminuiu e quais serão os próximos passos do tratamento”, afirmou.“Dor na alma”A aposentada Sofia Moreira, 75 anos, descobriu o câncer de mama em 2012 e passou por cirurgia para retirar dois nódulos, além de radioterapia. Desde então, mantém o acompanhamento médico, mas relata dificuldades para conseguir exames pela rede pública e diz que frequentemente precisa recorrer à Defensoria Pública para dar continuidade ao atendimento.Após tratar o câncer de mama, Sofia descobriu que a doença havia chegado ao pulmão. Mesmo em remissão, a aposentada ainda enfrenta obstáculos para realizar exames de acompanhamento. “Todo exame eu preciso recorrer à Defensoria Pública para conseguir”, relatou. Segundo ela, até uma mamografia solicitada em 2022 exigiu ajuda do órgão.Apesar das dificuldades, Sofia defende o Sistema Único de Saúde (SUS) e faz um apelo a outras pessoas que enfrentam a doença. “Não perca a fé”, aconselhou. Para ela, o câncer também deixa marcas emocionais. “Mesmo que você não tenha a dor da ferida, da doença, você sente dor na alma”, afirmou.
Verificação Editorial Giro Mix News
Conteúdo apurado, sintetizado e verificado com a inteligência editorial Yumi IA.

