No dia 24 de setembro, o ex-diretor e sócio do Banco Genial, Humberto Arthur Tupinambá, foi alvo de mandados de busca e apreensão da Justiça de São Paulo, em decorrência de indícios de atuação em favor de líderes do Primeiro Comando da Capital durante sua gestão à frente da instituição financeira. O fato ocorreu no âmbito da O peração Carbono O culto, que investiga a utilização de estruturas do mercado financeiro para ocultação de recursos oriundos do crime organizado, com foco em empréstimos superiores a R$ 160 milhões concedidos por meio de CDBV e CCB a empresas de fachada com capital mínimo, que posteriormente adquiriram o controle da distribuidora Terrana e do fundo Derby 44. A apuração, coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), aponta para relações entre Tupinambá, seus irmãos e integrantes da facção criminosa, com evidências documentais e interceptações que reforçam suspeitas de estrutura organizada de lavagem de dinheiro.
Contexto Institucional e Evidências Apuradas
A operação policial deflagrada na quinta-feira resultou no cumprimento de diligências nos escritórios do Banco Genial e residências ligadas ao ex-diretor, com apoio técnico do Coaf e do Ministério da Justiça. Conforme laudo pericial inicial obtido pelo MPSP, as transações financeiras realizadas entre o Banco Genial e as empresas de fachada — identificadas como Usina Itajobi e Radford — configuraram movimentação suspeita de recursos já vinculados ao grupo criminoso, já que o fundo Radford, sob administração do Banco Genial, recebeu aportes da Usina Itajobi, empresa controlada por Antonio Carlos Freixo, conhecido como 'Mineiro', delator do caso Master. As transferências foram efetuadas por meio de CDBV e CCB, instrumentos que permitem alavancagem financeira com baixa transparência operacional.
A análise das comunicações interceptadas revelou negociações diretas entre Humberto Arthur Tupinambá e operadores da facção criminosa, além de comprovação de que os empréstimos concedidos às empresas de fachada — com capital social nominal de apenas R$ 1 mil — eram utilizados para a compra da Terrana e para o ingresso em ativos imobiliários vinculados ao grupo PCC. O TJSP autorizou as buscas com base em decisões que destacam padrões recorrentes de movimentação financeira irregulares, bem como a existência de vínculos pessoais entre os envolvidos e membros da organização criminosa.
O Banco Genial movimentou mais de R$ 160 milhões em empréstimos via CDBV e CCB a empresas criadas com capital mínimo para adquirir bens ligados ao PCC.
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O Banco Genial informou publicamente que colaborou integralmente com as investigações, tendo entregado todos os documentos referentes às operações investigadas ao MPSP e efetuado o afastamento imediato do investigado diretor após a formalização dos mandados judiciais. A instituição destacou que adotou medidas corretivas internas, incluindo a instauração de um processo pela Inspetoria Interna, revisão profunda dos protocolos de concessão de crédito e o destituição definitiva do executivo investigado. Além disso, ressaltou ter comunicado todas as operações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em conformidade com as normas regulatórias vigentes., A crise gerada pela O peração Carbono O culto colocou o Grupo Genial em posição vulnerável junto ao Banco Central e aos órgãos reguladores. O BC já havia liquidado a Entrepay, fintech associada ao Grupo Entre — controlador da Usina Itajobi — por descumprimento normativo em março deste ano. Com a exposição atual, há previsão imediata de sanções administrativas ao Genial Investimentos, incluindo multa técnica pelo uso indevido dos produtos financeiros e possível intervenção na operação da instituição caso sejam comprovados desvios graves na gestão., alerta, A Justiça pode aplicar sanções penais e civis que incluem bloqueio judicial dos bens dos envolvidos e responsabilização direta por crimes contra o sistema financeiro.



