A Polícia Civil de São Paulo cumpriu, em 1º de junho de 2026, mandado de busca e apreensão na Brasilândia, periferia da zona norte da capital paulista, onde empresas vinculadas à produtora Karina Ferreira da Gama estão registradas, sob o comando do ministro Flávio Dino do STF, que determinou o abertura de sigilo processual no âmbito da O peração CÂMBIA, coordenada pela Polícia Federal e pela Polícia Civil em investigação conjunta sobre desvios financeiros e uso irregular de recursos públicos.
Contexto Institucional e Investigação em Curso
A operação policial, realizada às 9h45min do referido dia, resultou na apreensão de documentos e equipamentos eletrônicos nas instalações da Brasilândia, sob a coordenação do delegado-geral da Polícia Civil, Fábio Almeida, com apoio técnico da PF, conforme laudo pericial inicial divulgado pela Secretaria de Segurança Pública. O s alvos incluíram escritórios das empresas Go7 Assessoria, Produção e Marketing Cultural LTDA; GoUp Entertainment; e Instituto Conhecer Brasil (ICB), todas vinculadas à Karina Ferreira da Gama, cuja atuação como produtora cultural e assessora política já havia sido objeto de escrutínio parlamentar e midiático nos últimos anos.
O inquérito que culminou no mandado de busca e apreensão foi instaurado após decisão do ministro Flávio Dino, relator da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.158/2023, que determinou o desmembramento de sigilos envolvendo recursos captados pela Ancine em 2021 à Go7 Assessoria. A empresa recebeu autorização para captar até R$ 5 milhões junto a patrocinadores para a produção de uma série documental intitulada 'Atletas de Cristo', focada em jogadores de futebol filiados ao movimento evangélico, mas nenhum valor foi efetivamente captado nem utilizado, configurando possível fraude na aplicação de recursos públicos e privados.
A Polícia Civil apreendeu documentos e equipamentos eletrônicos na Brasilândia durante operação que investiga uso irregular de verba pública vinculada à Ancine.
Repercussão Jurídica e Cenários Futurísticos
A defesa preliminar apresentada por Karina Gama, através de seu advogado tributário Ricardo Moura, afirma que todas as atividades realizadas pelas empresas estavam em estrita conformidade com as normas da Ancine e que a ausência de produção fílmica se deve a dificuldades orçamentárias comuns no setor cultural brasileiro, sem configuração de fraude. Já o Ministério Público Federal (MPF) já requisitou o indiciamento das empresas nos autos da O peração CÂMBIA, com base em indícios de lavagem de recursos e sonegação fiscal apurados no inquérito aberto em setembro de 2023.
Especialistas em direito administrativo apontam que, se comprovado o desvio de recursos públicos, as empresas podem ser dissolvidas mediante decisão judicial e os responsáveis responderão por responsabilidade civil e criminal, com possibilidade de prisão preventiva caso haja prova de intenção dolosa. A expectativa é que novos mandados de prisão sejam emitidos nos próximos meses, conforme indicam fontes do MPF.



