O delegado Roberto Monteiro de Andrade Júnior, apontado pelo ex-sindicalista Valdevan Noventa como intermediário em disputa de poder dentro do SindMotoristas envolvendo o ex-vereador Milton Leite, nega categoricamente as acusações e sustenta que o inquérito que apura sua atuação foi integralmente conduzido por outro agente policial, após ter sido transferido da 4ª Delegacia de Guarulhos para a 1ª Cerco da capital com autorização da Delegacia-Geral, anuência do Ministério Público e decisão judicial.
Contexto Institucional e Histórico da Apuração
A investigação foi iniciada em 2020, após a apreensão de R$ 91.450 em espécie durante operação conduzida por um dirigente do SindMotoristas, e seguiu com foco em integrantes da entidade sindical, incluindo Valdevan Noventa e Moleque, que chegaram a sofrer medidas cautelares posteriormente revogadas pela Justiça. O caso transitou pela 4ª Delegacia de Guarulhos sob comando inicial de Monteiro, mas foi posteriormente encaminhado à 1ª Cerca da capital — órgão vinculado à 1ª Delegacia Seccional Centro, anteriormente chefiada por ele —, mediante determinação hierárquica da Delegacia-Geral e com expressiva anuência do Ministério Público de São Paulo e do Poder Judiciário.
Antecedentes revelam que Monteiro, mesmo sem integrar a estrutura administrativa municipal, mantém relação de longa data com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), tendo participado de reuniões oficiais no Gabinete do Prefeito em fevereiro deste ano ao lado de Moleque, atual presidente do SindMotoristas, e Valdemir dos Santos Soares. Em 2023, após sua saída do comando da 1ª Delegacia Seccional Centro, Nunes chegou a convidá-lo para atuar na gestão municipal, articulando apoio do vice-governador Felicio Ramuth para que o delegado ficasse 'à disposição' da Prefeitura.
R$ 91.450 em espécie foram apreendidos em operação que originou o inquérito que investiga Monteiro e Moleque.
Repercussão Jurídica e Institucional
A Prefeitura de São Paulo nega qualquer vínculo funcional entre Monteiro e a administração municipal, afirmando que o delegado encontra-se em atividade no âmbito da iniciativa privada ou como convidado especial em eventos sindicais, enquanto o MP-SP e a Justiça mantêm a abertura formal do inquérito sem previsão imediata de conclusão.
Especialistas apontam que a relação prolongada entre Monteiro e Nunes, somada à intervenção institucional na criação da Assessoria Policial Civil pelo governador Tarcísio de Freitas sob demanda do prefeito, pode configurar tentativa de influência sobre processo investigativo, situação que pode gerar representação ao Conselho Nacional de Justiça caso haja comprovação de conduta contrária à imparcialidade.



