O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) reiterou, na última reunião de 22 de setembro de 2026, seu alerta sobre os riscos que a política fiscal do governo representa para a estabilidade macroeconômica, destacando que medidas como crédito subsidiado e estímulo à demanda agregada podem elevação da taxa Selic estruturalmente e comprometer a convergência da inflação à meta de 3%.
Contexto Institucional e Histórico da Medida
A ata da reunião, divulgada na terça-feira seguinte, revelou que o Copom reconhece, desde janeiro de 2026, a necessidade de equilibrar estímulos fiscais e monetários, alertando que o uso excessivo de linhas de crédito subsidiado — como o Move Brasil, voltado para motoristas e taxistas com R$ 30 bilhões destinados à renovação de frota — pode gerar pressão inflacionária persistente e distorcer a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pública.
Desde então, o Comitê mantém um cenário de cautela diante da desancoragem das expectativas econômicas e dos riscos de um prêmio a termo da curva de juros elevado, reflexo direto da incerteza fiscal que permeia o ambiente institucional.
O Copom alerta que o estímulo fiscal ao consumo pode elevar permanentemente os juros da economia, comprometendo a eficácia da política monetária e dificultando o controle da inflação.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
Em resposta às críticas do Copom, o Ministério da Fazenda afirmou que as medidas fiscais são temporárias, equilibradas ao longo do ciclo econômico e destinadas a combater o desaceleração do crescimento, reforçando a necessidade de coordenação entre política fiscal e monetária para garantir a estabilidade dos preços.
O BC mantém postura vigilante, indicando que novos ajustes na taxa Selic dependerão da evolução dos indicadores inflacionários e do comportamento do crédito, sem predefinir próximos movimentos diante do cenário de alta incerteza.



