Nos últimos meses, o Governo de Goiás, por meio do Instituto de Medicina, Estudos e Desenvolvimento (Imed), anulou ou avisou o término de contratos com empresas vinculadas a intermediários investigados pela Polícia Civil como integrantes da rede de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), substituindo-as por uma gestora de saúde sob investigação na Justiça, enquanto o Estado já havia desembolsado R$ 200 milhões ao grupo suspeito de articular favorecimentos políticos com o PCC.
Contexto Institucional e Procedimentos de Apuração
A apuração jornalística revelou que o Imed, responsável pela administração de três hospitais estaduais — Formosa, Uruaçu e Trindade —, encerrou contratos com fornecedoras após constatação de ligações entre intermediários suspeitos e a rede criminosa do PCC, conforme evidências obtidas em operação policial conduzida em 2023; a Polícia Civil identificou práticas de subcontratação fraudulenta para simular competição inexistente, beneficiando diretamente o deputado federal Ismael Alexandrino (PSD-GO), ex-secretário de Saúde do Estado.
Conforme registros judiciais, a médica Gleycianne França, sócia da Fabermed FMC Soluções em Saúde, e o médico Lucas Nogueira Taveira Adorno figuram como responsáveis legais pela empresa Fluir Gestão em Saúde, which foi selecionada para fornecer médicos aos hospitais do Imed mediante contrato mensal de R$ 8,9 milhões — valor 11% inferior ao proposto pela segunda colocada —, com suspeitas de manipulação de processos licitatórios para favorecer o político goiano.
O governo goiano já pagou R$ 200 milhões ao grupo investigado por ligação comprovada com a organização criminosa PCC.
Repercussão O ficiosa e Desdobramentos Jurídicos
A Secretaria de Saúde do Estado declarou, por meio oficial comunicado, que as contratações realizadas pelo Imed ocorrem sob autonomia técnica da organização social e que não assumiu responsabilidade direta pelas escolhas empresariais; já a defesa do deputado Ismael Alexandrino classificou as acusações como "pura leviandade", negando qualquer envolvimento em esquema de corrupção ou simulação licitatória.
As investigações penais seguem sob o crivo da Justiça Federal, com a TRF-1 responsável por avaliar as provas apresentadas pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal, enquanto o Imed mantém a gestão dos hospitais apesar da substituição das empresas contratadas, sinalizando um processo contínuo de reestruturação do mercado de saúde pública no Estado.



