Um levantamento realizado pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) identificou 1.364 edificações localizadas em áreas de risco no município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. O estudo mapeou 79 setores vulneráveis, sendo 74 sujeitos a inundações e cinco à erosão fluvial.
Os dados integram o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), desenvolvido desde novembro de 2025 pela Ufra em parceria com o Ministério das Cidades e a Prefeitura de Ananindeua. O documento está em fase de finalização, com conclusão prevista para novembro de 2026.
O mapeamento abrange áreas dos bairros Águas Brancas, Aurá, Coqueiro, Distrito Industrial, Guajará, Icuí-Guajará, Centro, Jiboia Branca, Júlia Seffer, Maguari-Cajuí, Paar, Quarenta Horas e Parque das Águas, além da ilha João Pilatos. Entre as localidades consideradas prioritárias para intervenções estão Guajará, Coqueiro, Maguari-Cajuí, Distrito Industrial e Jiboia Branca.
"A partir do momento em que você identifica as áreas de risco, essas áreas precisam ser prioritárias para fiscalização, para intervenção ou até mesmo para repensar as formas de ocupação das áreas mais baixas e das bacias hidrográficas urbanas da Amazônia", afirmou a professora Milena Andrade, coordenadora do projeto na Ufra.
O estudo prevê propostas de infraestrutura, melhorias nos sistemas de drenagem e ações educativas para reduzir os riscos enfrentados pela população. Segundo a universidade, as medidas poderão beneficiar mais de 5 mil pessoas.
A elaboração do plano também contou com quatro oficinas participativas realizadas com moradores e lideranças comunitárias das zonas norte e sul e das ilhas de Ananindeua. Os encontros buscaram identificar problemas e incorporar as experiências das comunidades ao planejamento.
"Nós vivemos em áreas em que tem relevos muito baixos, tem influência de maré e precisamos verificar cada vez mais, tanto tecnologias de adaptação de construções quanto infraestrutura da melhor forma possível de macro e microdrenagem, para que as pessoas não sejam afetadas constantemente por inundações", explicou Milena.
O plano integra a política pública Periferia Sem Risco, coordenada nacionalmente pelo Ministério das Cidades.



