A divulgação de imagem que registra o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, ao lado do procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante evento patrocinado por Vorcaro em Londres — onde ambos figuram fumando charuto e com copos de uísque sobre a mesa — acendeu faróis para uma série de questionamentos sobre suposta proximidade entre o magistrado e o banqueiro, reavivando críticas parlamentares e desencadeando novos desdobramentos na investigação do caso Master.
Contexto Institucional e Histórico da Apuração
A fotografia, veiculada inicialmente por meios digitais, gerou estranheza por apresentar o PGR em ambiente propício a convivência social com figura empresarial alvo de investigação pelo Tribunal de Contas da União e pelo STF, onde Gonet havia negado categoricamente qualquer vínculo com Vorcaro em defesa apresentada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal. A apuração conduzida por órgãos de controle e pela imprensa revelou que o encontro ocorreu em abril de 2024, em evento jurídico público realizado no Reino Unido, com presença de autoridades e representantes do setor financeiro, ocasião em que o banco foi representado por seus executivos.
Antecedentes indicam que o Banco Master já havia sido alvo de escrutínio por concessão irregular de linhas de crédito e pela suspeita de uso como veículo para financiamento de projetos político-electorais vinculados a figuras próximas ao Executivo Federal, o que ampliou a atenção sobre relações pessoais do PGR com agentes econômicos em potencial conflito de interesses.
O Banco Master movimentou mais de R$ 120 bilhões em crédito entre 2020 e 2024, segundo dados da B3.
Repercussão Política e Desdobramentos da Investigação
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) intensificou a crítica ao PGR ao divulgar áudio gravado em 30 de março de 2025 no qual solicita avaliação de ativo minerário junto ao banqueiro Daniel Vorcaro via WhatsApp, evidenciando possível tentativa de influência indevida sobre decisão judicial pendente envolvendo Thiago Rodrigues de Faria, ex-assessor parlamentar. A gravação, divulgada pelo portal ICL Notícias em 3 de setembro, reforça alegações de troca favorável entre representantes políticos e instituições financeiras sob investigação.
As reações do mercado e dos magistrados foram rápidas: o ministro Gilmar Mendes defendeu publicamente Gonet, afirmando que sua imparcialidade não está em risco, enquanto Flávio Bolsonaro vinculou o caso à gestão Lula, acusando o governo de hipocrisia diante do estilo de vida observado por seus aliados em Londres. A Comissão de Constituição e Justiça do Congresso já requisitou cópia do inquérito para avaliar eventual violação à ética institucional.



