Nesta quarta-feira (9), a Polícia Federal Argentina, em conjunto com o Ministério da Segurança Nacional, iniciou a extradição para o Brasil do traficante internacional de armamentos Diego Hernan Dirísio, conhecido como "Mestre das Armas", sob forte esquema de segurança que prevê seu deslocamento até o Aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, para conexão com voo direto a São Paulo.
Contexto Institucional e Histórico da O peração de Extradição
A operação, coordenada pela Senajus e pelo DRCI, parte de um inquérito conjunto da Polícia Federal brasileira que apura a movimentação de aproximadamente 43 mil armas e R$ 1,2 bilhão em receitas ilícitas nos últimos três anos, valores corroborados por laudos periciais e registros financeiros analisados desde 2020. Dirísio, preso em fevereiro de 2024 na cidade de Córdoba após ordem judicial e alerta vermelho da Interpol emitidos pelas autoridades brasileiras, responde por atuação como presidente de uma empresa de importação e venda de armas legalmente habilitada no Paraguai, enquanto sua sócia, Julieta Vanessa Nardi Aranda, ocupava a vice-presidência do mesmo conglomerado comercial.
Nos últimos anos, o casal teria utilizado uma rede de cambistas informais para lavar recursos, desviação financeira que envolveu transações entre o Paraguai, Estados Unidos e Europa, além de empregar técnicas de apagamento de números de série das armas para dificultar o rastreamento dos armamentos importados ilegalmente do exterior.
Diego Hernan Dirísio movimentou R$ 1,2 bilhão em três anos ao vender ao menos 43 mil armas ao Primeiro Comando da Capital e ao Comando Vermelho.
Repercussão Jurídica e Estratégia de Enfrentamento ao Crime O rganizado
O Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que a extradição segue rigoroso protocolo diplomático e legal, com garantias processuais asseguradas pelo Tratado de Extradição Brasil-Argentina, enquanto o advogado do réu negou categoricamente as imputações da PF, alegando atuação legítima na importação de 17 mil armas entre 2013 e 2023 e classificando a denúncia como tentativa de perseguição política envolvendo agentes da ABIN e a CBC.
Especialistas em direito penal criminalístico apontam que a formalização da extradição pode representar um marco no combate ao tráfico internacional de armamentos na América do Sul, especialmente por envolver atores-chave do crime organizado brasileiro que operam com estrutura logística transnacional.



