Após o New York Times revelar que Canadá e China adotaram postura conjunta de resistência às pressões dos Estados Unidos, o especialista Lucas Ferraz, coordenador do Centro de Negócios Globais da FGV, analisou as implicações geopolíticas e econômicas dessa aliança estratégica em um contexto de tensões comerciais globais.
Análise Comparativa do Poder Econômico e Tecnológico
O especialista destacou que, embora ambos os países tenham optado por não ceder às demandas americanas, a disparidade estrutural entre suas economias é evidente: o Canadá movimenta cerca de US$ 2 trilhões, enquanto a China ultrapassa os US$ 20 trilhões em PIB, segundo dados consolidados do Fundo Monetário Internacional.
Ferraz ressaltou que a China detém vantagem decisiva em setores estratégicos como tecnologias limpas, produtos essenciais, tecnologias de futuro e terras raras, elementos críticos para a indústria avançada e a segurança energética, o que amplia sua capacidade de resposta em disputas comerciais internacionais.
A economia chinesa é dez vezes maior que a do Canadá, segundo análise do especialista Lucas Ferraz da FGV.
Repercussão Estratégica e Caminhos para a Negociação
As declarações de Ferraz coincidem com relatório do Ministério da Fazenda que aponta que o setor automotivo — responsável por 15% a 16% do comércio bilateral entre Canadá e China — está em foco devido à proposta de tarifas que entrarão em vigor em janeiro, ampliando riscos à integração produtiva.
O coordenador da FGV concluiu que o Canadá deveria buscar modelos de negociação semelhantes aos adotados por potências médias, como México e países da América Latina, priorizando diálogo sobre confrontação direta com os Estados Unidos.



