O Brasil encerrou a presidência da COP30 com a apresentação de dois roteiros em 3 de novembro, um focado no desmatamento e outro na redução da dependência de combustíveis fósseis. Na COP31, marcada entre 9 e 20 de novembro, a discussão sobre o segundo roteiro ocorrerá no dia 10, sem negociação formal, pois as propostas são voluntárias após impasse sobre sua inclusão na decisão de Belém.
O país tem como diferencial o desempenho energético de 2025, quando fontes renováveis responderam por 86,8% da oferta de eletricidade e por 26,1% do consumo dos transportes, com destaque para etanol e biodiesel. Essa posição coloca o Brasil na liderança do G20 na participação de renováveis na eletricidade, fortalecendo sua atuação diplomática.
A Turquia exercerá a presidência formal da COP31 com ênfase em eletrificação e redução de resíduos, enquanto a Austrália chefiará as negociações. O arranjo separa iniciativas de compromissos, embora ambos os países mantenham interesses ligados a combustíveis fósseis, como o carvão na eletricidade turca e as exportações australianas de carvão e gás.
O mapa financeiro elaborado pelo Azerbaijão e pelo Brasil em 2025 prevê a mobilização de US$ 1,3 trilhão anuais até 2035 para países em desenvolvimento, com primeira atualização da implementação prevista para a COP31. A discussão envolve recursos públicos de países ricos e empréstimos acessíveis, já que juros altos encarecem projetos de energia limpa e restauração florestal.
Outros temas da agenda incluem a demanda dos países insulares do Pacífico por recursos para proteger o litoral e o aperfeiçoamento dos 59 indicadores de adaptação climática aprovados em Belém até a COP32. Além disso, o IPCC suspendeu uma reunião em outubro sem acordo sobre o calendário do sétimo relatório de avaliação, o que pode atrasar contribuições científicas às futuras metas nacionais.



