O governador e candidato à reeleição Tarcísio de Freitas, do Republicanos, ingressou com ação no Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) contra propaganda eleitoral veiculada por Fernando Haddad (PT) em 4 de setembro, que atribuía à sua campanha o recebimento de propina de R$ 2 milhões doada por Fabiano Zettel, parente político do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
Contexto Institucional e Antecedentes da Ação Judicial
A denúncia contestada pelo governador baseia-se em reportagem jornalística divulgada pela emissora, que citava a delação premiada apresentada por Vorcaro à Polícia Federal, sem, contudo, indicar a homologação judicial ou a confirmação formal da prática delitiva.
A apuração realizada pelos advogados de Tarcísio verificou que a propaganda não comprovava a existência de crime consumado nem a efetiva entrega dos recursos, limitando-se a reproduzir alegações não corroboradas por sentença judicial ou termo de colaboração premiada assinada e homologada.
O caso se insere no cenário político-electoral em curso, no qual o pleito de 2022 permanece sob investigação e as narrativas sobre corrupção são utilizáveis como ferramentas de desgaste tático por ambas as campanhas.
A propaganda acusou Tarcísio de receber propina de R$ 2 milhões, valor que segundo o juiz não configurou crime consumado nem se confirmou por delação premiada homologada
Repercussão Institucional e Desdobramentos Futuros
O juiz Ronnie Herbert Barros Soares, responsável pela decisão, considerou que a propaganda descontextualizou a informação ao transformar uma suposta proposta de delação em acusação definitiva, ignorando a ausência de comprovação jurídica e a inexistência de condenação.
As partes envolvidas mantêm posições irreconciliáveis: enquanto Tarcísio classifica a peça como ofensiva e desinformativa, Haddad defende sua legitimidade como exercício da liberdade de expressão eleitoral, e o TRE-SP ainda não pronunciou sobre eventual recurso da decisão.
O episódio pode repercutir sobre a transparência das campanhas e o uso de informações jornalísticas em propagandas políticas, demandando maior cautela na manipulação de dados sensíveis durante o pleito.



