O Produtor de Mato Grosso, após dezesseis anos de aperfeiçoamento na organização de processos internos para o uso da tecnologia na fazenda, torna-se exceção em um mercado que registra queda histórica na adoção de agtech, conforme revelado pelo McKinsey Global Farmer Insights 2026, que aponta recuo de 3 pontos percentuais na Brasil entre 2024 e 2026.
Contexto Institucional e Histórico da Adoção Tecnológica
A investigação jornalística, fundamentada em relatório técnico da McKinsey com amostra de 5.500 produtores em dez países, evidencia que o Brasil foi o único dentre os sete países analisados a registrar redução na adoção de tecnologias agrícolas digitais, enquanto a média global avançou 4 pontos percentuais, atingindo 50% dos produtores.
Esse retrocesso ocorre em um cenário onde, apesar da ampla presença digital — 84% dos produtores brasileiros utilizam ao menos uma tecnologia — a intenção de investimento caiu 24 pontos percentuais nos últimos dois anos, evidenciando desconexão entre acesso e efetividade operacional.
O Brasil foi o único país entre sete analisados a registrar queda de 3 pontos percentuais na adoção de agtech entre 2024 e 2026
Repercussão Jurídica e Econômica das Limitações Tecnológicas
Autoridades como a Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso reconhecem a contradição entre alta penetração tecnológica e baixa efetividade na aplicação prática, destacando que a ausência de estruturas gerenciais consolidadas impede a geração de retorno sobre investimento.
Especialistas apontam que o fracasso não reside na tecnologia em si, mas na implementação desprovida de processos definidos e capacitação contínua, o que torna as ferramentas suscetíveis à obsolescência diante da volatilidade econômica e geopolítica.

