Durante a semana de alto nível da Assembleia Geral da O rganização das Nações Unidas, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, conduzirá uma agenda estratégica que abrange encontros com chanceleres e representantes de blocos de países emergentes, com ênfase especial no diálogo com a China e na participação em fóruns como o Grupo dos 77 e China, BRICS, IBAS, Celac e Consenso de Brasília, além de eventos organizados pelo país, como o painel da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e a reunião ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).
Contexto Institucional e Dinâmica dos Blocos de Países Emergentes
O Ministério das Relações Exteriores confirmou que o chanceler brasileiro terá uma participação ativa durante a 79ª sessão da Assembléia Geral da O NU, sediada em Nova York, com reuniões previstas em torno de fóruns que representam a voz consolidada dos países em desenvolvimento. O Grupo dos 77 e China, embora não incluir a China como membro pleno direito por sua condição de potência econômica global, reúne mais de 130 nações do chamado Sul Global, consolidando-se como o principal bloco diplomático em defesa dos interesses dos países em desenvolvimento. Nesse contexto, o Itamaraty destacou a presença do ministro em encontros com representantes do BRICS — ampliado para incluir Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e outros —, do IBAS (Índia-Brasil-África do Sul), da Celac (Comunidade de Países Latino-Americanos e Caribenhos) e do Consenso de Brasília, iniciativa regional que fortalece laços entre nações sul-americanas.
Além desses fóruns multilaterais, o chanceler participará de reuniões com o G4 (Brasil, Alemanha, Índia e Japão), que defendem a ampliação do Conselho de Segurança da O NU, e do grupo L.69, composto por países em desenvolvimento que buscam maior representatividade na organização. A agenda também inclui dois eventos de iniciativa brasileira: o painel da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, marcado para 23 de setembro, e a reunião ministerial da Zopacas, realizada no dia seguinte, 24 de setembro, sob a presidência temporária do Brasil desde abril deste ano.
Mais de 130 países integram o bloco do Grupo dos 77 e China, maior coalizão diplomática do Sul Global na O NU.
Repercussão Estratégica e Desdobramentos Diplomáticos
As declarações oficiais do Itamaraty reforçam que a agenda do ministro visa fortalecer parcerias sul-sul e consolidar o papel do Brasil como articulador de iniciativas regionais e globais. A participação em eventos como a Zopacas — lançada em 1986 por iniciativa brasileira e que reúne nações lusófonas e afro-latinas — reforça o compromisso do país com a cooperação geopolítica no Atlântico Sul. Ao mesmo tempo, a presença em fóruns como o BRICS e o G4 sinaliza uma estratégia de equilíbrio entre alianças tradicionais e novas dinâmicas de poder no cenário internacional.



