Os democratas conquistaram a Câmara dos Deputados e o Senado em 3 de novembro, mas não obtiveram os dois terços necessários para derrubar vetos do presidente Donald Trump. A mudança mais relevante é a perda do mecanismo de reconciliação orçamentária pelos republicanos, que permitia cortar incentivos à energia limpa sem precisar negociar com a oposição.
A reconciliação orçamentária funciona como um atalho legislativo para alterações específicas de impostos e gastos, exigindo apenas maioria simples no Senado após um debate limitado a 20 horas. Em 2025, os republicanos utilizaram esse caminho para antecipar o fim de benefícios a renováveis e veículos elétricos, mas agora não controlam mais as duas casas para repetir a operação sozinhos.
Nos projetos comuns, senadores podem obstruir votações por meio do filibuster, exigindo geralmente 60 votos para encerrar o debate. Com isso, a reforma do licenciamento energético pode ser adiada até 2027, quando os democratas terão maioria nas duas casas e maior poder de barganha.
Trump preserva o poder de veto, o que significa que mesmo novos incentivos aprovados pelos democratas podem ser rejeitados pelo presidente. A guerra com o Irã intensifica a pressão econômica, com a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos projetando aumentos de 39% no petróleo Brent e 42% no diesel rodoviário em 2026 em comparação com 2025.
O cenário também envolve disputas judiciais sobre normas ambientais. A Agência de Proteção Ambiental revogou limites de emissões de veículos e parte das regras de carbono para termelétricas, decisões contestadas por vinte estados. Desde 2024, a Suprema Corte determina que juízes interpretem as leis sem aceitar automaticamente a posição das agências federais.
A EIA projeta alta de 11% no atacado de eletricidade em 2026, impulsionada por extremos climáticos, com elevação de 41% na PJM, operadora regional que abrange treze estados e a capital. Esses aumentos não chegam integralmente nem imediatamente às contas residenciais.
Até 2028, a disputa energética deverá ocorrer mais pelo orçamento, pelos tribunais e pelas contas de luz do que por novas leis. Para os democratas, bloquear Trump não será suficiente: será necessário demonstrar como financiar a expansão da rede sem repassar os custos às famílias.



