No Tribunal do Júri de Esteio, no interior metropolitano de Porto Alegre, o pai de santo Jocemar Antunes de Almeida, 45 anos, e a esposa Belisia de Fátima da Silva serão submetidos a julgamento por feminicídio quintuplamente majorado, dois homicídios quadruplamente qualificados e outros delitos conexos, após denúncia formal do Ministério Público do Rio Grande do Sul que atribui à dupla o plano deliberado para ocultar uma relação extraconjugal e proteger a imagem da comunidade religiosa.
Contexto Institucional e Histórico da Apuração
A investigação que culminou na formalização da denúncia pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul revelou uma trama meticulosa articulada por Jocemar Antunes de Almeida e sua esposa Belisia de Fátima da Silva, ambos acusados de praticarem homicídios contra Kauany Martins Kosmalski, 18 anos; Ariel Silva da Rosa, 16 anos; e o recém-nascido Miguel Martins Kosmalski, de dois meses, filho biológico do casal em razão de um relacionamento extraconjugal.
O s fatos ocorreram em julho de 2025, em Esteio (RS), quando as vítimas foram atraídas para uma área isolada mediante alegação de realização de cerimônia religiosa; os corpos foram ocultados em matagal às margens do Rio dos Sinos e descobertos três dias depois em uma cova, enquanto laudos periciais confirmaram que Kauany recebeu cerca de 52 facadas com violência extrema e que o bebê faleceu por traumatismo craniano.
O crime resultou na morte de três pessoas, incluindo um bebê de dois meses, após o pai religioso ter sido comprovado como genitor por exame de DNA.
Repercussão Jurídica e Posicionamentos
O Ministério Público Federal e a Defensoria Pública já se manifestaram sobre a gravidade dos crimes, com o promotor Rodrigo Mendonça destacando que a dupla agiu para preservar a reputação do pai de santo dentro da comunidade religiosa, motivando-se pelo temor de perda de status frente à denúncia da traição.
A Justiça determinou prisão preventiva dos acusados, que respondem também por ocultação de cadáver, corrupção de menores e violação sexual mediante fraude, enquanto o Tribunal do Júri ainda definirá a data do julgamento definitivo.



