A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou como equivocada e excessivamente conservadora a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Para a entidade, a manutenção do aperto monetário torna o crédito mais caro, prejudica empresas e famílias e trava a economia.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, defende que o Copom retome o ciclo de redução de juros já na próxima reunião, prevista para dezembro. Ele afirma que, embora as expectativas para a inflação tenham piorado, o IPCA segue dentro do intervalo da meta no horizonte relevante da política monetária e que é possível continuar cortando os juros sem impor à economia um custo maior do que o necessário para garantir a estabilidade dos preços.
A CNI aponta três elementos que merecem atenção: a piora das expectativas de inflação após o segundo turno das eleições, com desvalorização do real e alta dos juros longos; o fato de que a política monetária restritiva pesa sobre a atividade há 58 meses; e os dados negativos da Sondagem Industrial de setembro, nos quais os estoques indesejados atingiram o maior nível desde outubro de 2023 e a margem de lucro teve a pior avaliação desde a pandemia.
A entidade destaca ainda que, em agosto, as vendas do varejo estavam cerca de 1% abaixo do nível de janeiro, com perda de força nos segmentos mais sensíveis ao crédito, enquanto o volume de serviços permanece praticamente parado desde o fim de 2025. O comprometimento de renda das famílias atingiu 29% em agosto, maior nível em 21 anos, e o endividamento alcançou recorde de 50,1% da renda em 12 meses. Em consulta de outubro, 51,9% dos empresários esperam maior necessidade de financiamento para pagar fornecedores nos próximos três meses e 56,9% projetam redução do lucro.



