A economista Marília Fontes, apresentadora do Resenha do Dinheiro, afirma que o mercado elevou a régua para a valorização das ações de empresas de inteligência artificial, de modo que resultados positivos não são mais suficientes para atender às expectativas dos investidores. Mesmo companhias com desempenho acima do previsto, como a fabricante de chips TSMC no último trimestre, não evitaram pressões sobre seus papéis. Segundo ela, antes um resultado superior ao esperado gerava altas expressivas nas ações, mas agora o mercado reage com quedas mesmo diante de crescimento das empresas de IA.
As oscilações nas ações das companhias do setor refletem essa expectativa elevada. No final de outubro, a Nvidia registrou queda de 2,52%, a Marvell caiu 5,08% e a Intel teve recuo de 28,58%, considerado o pior dia da empresa desde 1974. Para Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, o mercado está “anestesiado” com a tese da inteligência artificial e exige crescimento contínuo das ações e das empresas, uma necessidade sem fim que, segundo ele, eventualmente cobra seu preço.
Além da pressão dos investidores, a economia americana cria obstáculos adicionais para essas companhias. A inflação está em 3,6%, bem acima da meta de 2% do Federal Reserve, e os juros operam entre 3,75% e 4%. Esses fatores ofuscam o crescimento do PIB e o baixo desemprego nos Estados Unidos, enquanto a insatisfação da população com o custo de vida impede que a alta empregabilidade e a geração de renda ganhem destaque no cenário econômico.



